Usando placas de vidro, cientistas desenvolveram um aparelho eficiente e prático de energia solar que, acreditam, pode ajudar a tornar mais acessível essa fonte de energia limpa e renovável.

Especialistas ansiosos por fontes de energia que não envolvam a queima de combustíveis fósseis muitas vezes apontam para a promessa da energia solar. Mas ela até agora vem se provando mais cara do que as fontes mais comuns de energia. Em artigo publicado na edição de quinta-feira (10) da revista “Science”, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) descreveram o desenvolvimento de um novo tipo de “concentrador solar” que pode oferecer uma melhor maneira de extrair energia do sol.

Eles usaram placas de vidro revestidas de corantes orgânicos a fim de concentrar a luz que atinge os painéis. Os corantes absorvem a luz e a emitem para a placa, que a conduz aos limites da placa mais ou menos da mesma maneira que cabos de fibra óptica podem transportar a luz por longas distâncias, disseram os pesquisadores. Nos limites das placas estão localizadas pequenas células solares que transformam a luz em eletricidade.

Vidro e tinta

“É apenas uma peça de vidro com uma camada de tinta no topo”, disse Marc Baldo, professor de engenharia elétrica no MIT e líder da pesquisa, em entrevista telefônica. “A idéia é de que a luz chega e atinge a tinta. A tinta então conduz a luz aos limites do vidro. Tudo que é preciso são as células solares nos limites. Assim, acreditamos que isso possa reduzir o custo da geração solar de eletricidade”, acrescentou ele.

Jonathan Mapel, pesquisador do MIT que participou do estudo, disse que a esperança é de que o uso dessa tecnologia possa ajudar a reduzir o custo da energia solar para perto do custo de fontes convencionais de energia fóssil, como carvão.

“Um dos desafios da energia solar em geral é que ela tem um custo muito elevado. O que gostaríamos de fazer seria reduzir o custo da energia solar”, disse Mapel.

Mais simples

Atuais sistemas de energia solar usam espelhos ou lentes para concentrar a luz. Já as placas usadas na pesquisa são planas e leves e por isso podem ser usadas em telhados ou mesmo usadas como janelas gerando energia. O sistema, diferente de alguns coletores de energia solar, não precisa se mover para acompanhar o movimento do sol no céu para gerar energia de maneira contínua, disse Baldo.

Os cientistas acreditam que sua tecnologia pode estar disponível dentro de três anos e que poderia ser inserida em atuais sistemas de painéis solares para aumentar a sua eficiência. Alguns dos pesquisadores do MIT estão formando uma empresa, a Covalent Solar, baseada em Boston, para desenvolver e vender a tecnologia.
(Fonte: G1)